Se sei quem sou? Não sei. Por vezes questiono-me como seria se as decisões que tomo, as pessoas que conheço e os pensamentos que levo fossem totalmente inversos. Seria uma pessoa diferente? Seria eu? Ou seria ninguém, apenas? Não procuro insaciavelmente definir ou responder a estas questões tão absurdo-lógicas que rondam o meu consciente e até inconsciente, que moldam o meu pensamento e o repartem em dois, três, quiçá quatro partes alheias entre si. Não ambiciono tornar-me alguém já pré-estabelecido, procuro gostar de mim, saber valorizar-me e ao mesmo tempo criticar-me, saber apontar o dedo sem nunca procurar mentir a mim própria, isso seria o mais ultraje de tudo, o que no entanto nem sempre consigo evitar. Desejaria ainda e sobretudo, saber como ocupar este vazio que me preenche e falta ser preenchido, porque eu não consigo, não consigo fazê-lo parar de crescer a pouco e pouco como se o tempo fosse dele, como um buraco negro em expansão. Perdi o controlo, se é que alguma vez o tive, e não sei como parar este hiato que há em mim, esta melancolia que me assola todos os dias, incessantemente, quando lhe convêm impedindo-me de me manter relativamente constante ora na alegria ora na tristeza ora no amor.
E sinto-me assim, lançada aos sete ventos no meio da poeira psicológica que me cega que me arrasta e que me faz lembrar que no sempre estou só.
Que sei eu de mim? Só o tempo o dirá.